

José Hermano Saraiva (1919-2012) com Macho Castro Laboreiro




A Raça
O Cão de Castro Laboreiro é uma raça portuguesa reconhecida por todas as entidades nacionais e internacionais que tutelam a canicultura como um cão de guarda, de vigilância e proteção dos rebanhos.
Na Fédération Cynologique Internationale (FCI), pertence ao Grupo 2 - cães de tipo Pinscher e Schnauzer, Molossóides, Cães de Montanha e Boieiros, Suíços, Secção 2.2 - Molossóides, tipo Montanha.
- Mastim rústico e vigoroso;
- Ativo, ágil e de grande beleza;
- Bem proporcionado e harmonioso;
- Cabeça seca, não muito volumosa, comprida e próxima do retilíneo;
- Orelhas caídas de inserção média;
- Sulco frontal quase nulo;
- Olhos oblíquos em forma de amêndoa;
- Céu da boca e mucosas pretas;
- Chanfro comprido e direito;
- Cauda em alfange, larga e grossa;
- Pés tendendo para o felino;
- Pelo curto, grosso e resistente;
- Cores lobeiras, raiadas;
- Ladrar característico.
Em 1932 foi criado o Livro Português de Origens (LPO), registo para a identificação dos cães de raça pura existentes em Portugal. Foram feitos, então, os primeiros registos do Cão de Castro Laboreiro.
Em 14 de Agosto de 1933, é reconhecida à Secção de Canicultura a qualidade de Membro federado da Federation Cynologique Internationale (F.C.I.).
Os primeiros estalões oficiais de raças portuguesas de cães a serem elaborados e aprovados foram: Cão da Serra da Estrela em 1934, Cão de Castro Laboreiro em 1935.
Um dos ilustres fundadores do actual Clube Português de Canicultura, o médico veterinário, Prof. Manuel Fernandes Marques, deslocou-se a Castro Laboreiro, observa os exemplares existentes na freguesia e elabora o precioso documento, o Estalão do Cão de Castro Laboreiro. Foi um marco importante para o apuramento da raça, constituindo um garante da preservação das suas características originais. Diga-se que já em período anterior, ainda sem Estalão oficial, O Castro Laboreiro é reconhecido como raça de guarda pela Direção Geral da Agricultura, Instituições do Ensino Superior (Ciências Agrárias e Veterinária - Zootecnia), Exército Português, assim como pela população em geral.
Entre dezenas e dezenas de referências históricas ao Cão de Castro Laboreiro escolhemos algumas das mais conhecidas.
A literatura do século XIX dispensou alguns parágrafos ao Cão de Castro Laboreiro, por exemplo, Camilo Castelo Branco e Arnaldo Gama.
"…As coronhadas e as intimações ameaçadoras repetiam-se. Uma algazarra de Inferno. Vozes roucas pediam machados e ferros do monte. A Senhorinha, muito esganiçada, expectorava agudos ais na cozinha; não acertava a enfiar o saiote pelo direito. Os cães de Castro Laboreiro, muito ferozes, arremetiam às portas com a dentuça refilada. Porcos grunhiam dando bufidos espavoridos. A moça dos recados chamava a sua Mãe Santíssima e a alma da tia Jacinta do Reimundles, que estava inteira na igreja…"
[Camilo Castelo Castelo, A Brasileira de Prazins, 1879-1882]
Pinho Leal em 1874, Portugal Antigo e Moderno, ao descrever a região, faz menção aos mastins existentes, "criam-se aqui mastins d´uma corpulência e vigor extraordinários, pois qualquer d´elles mata um lobo. Criados fora d´aqui degeneram inteiramente".
Em 1908, realizou-se a 1ª Exposição Canina Internacional de Lisboa. O Cão de Castro Laboreiro foi umas das poucas raças caninas portuguesas admitidas, na secção destinada a cães de guarda e de defesa. Saliente-se que um dos objetivos principais desta Exposição foi a fundação do Livro Genealógico dos Cães Peninsulares.
Em 1920 o Jornal crastejo, A Neve publicava anúncios, com o titulo Cachorros, "Precisa-se comprar 3 cachorros da verdadeira raça de Castro Laboreiro. Quem os tiver dirija-se a esta redacção".
José Leite de Vasconcellos (1858 - 1941), arqueólogo, médico, etnógrafo, filólogo, museólogo, fundador do Museu Etnográfico Português (atual Museu Nacional de Arqueologia), também Professor do Curso Superior de Bibliotecário-Arquivista e Conservador da Biblioteca Nacional, percorreu Portugal de lés a lés, na sua Obra Monumental descreveu as raças portuguesas reconhecidas na época, o Cão de Castro Laboreiro consta como cão de guarda e pastoreio.

Manuel António Gomes, Padre Himalaya, nasceu em 1868, Cendufe, Arcos de Valdevez. É uma das figuras mais conhecidas e interessantes do Alto Minho no final do século dezanove. Faleceu em 1933, proposto para Presidente do Instituto Histórico do Minho. Além de sacerdote, foi inventor, cientista e visionário. Em 1904 obteve um grande prémio na América, Exposição Mundial de St. Louis com o Pyrheliophero. No ano de 1927 viajou para a Argentina continuando empenhado nas suas observações e investigações. Em carta enviada para o seu irmão, maio de 1929:
"Dentro destes terrenos há muitas espécies de animais selvagens. O Félix Puma, (leoncito), muito parecido ao Leão, mas mais pequeno, como um cão grande de Castro Laboreiro, é o principal bicho bravo."

Em 1996, o maior realizador português, Manoel de Oliveira, insere a raça no Guião escrito da película Viagem ao Princípio do Mundo, tendo como pano de fundo a estória de Yves Afonso, aquela que foi a última rodagem do fabuloso Marcello Mastroianni. Cães do Laboreiro perseguem o carro do consagrado italiano.
Estudos científicos:
FAQ´s
1. Funcionalidades do Cão de Castro Laboreiro?
Guarda, pastoreiro e família.
Defesa de gado contra predadores, como lobos, proteção de propriedades contra estranhos, e excelente cão familiar.
Guarda de animais– Instintivamente protege o gado contra ameaças, sem necessidade de grande treino.
Cão de guarda territorial– Vigia e protege vivendas, quintas e propriedades rurais.
Companheiro fiel– Apesar de sua natureza independente, é um magnífico cão de companhia para a família.
Adaptado a climas rigorosos e a terrenos montanhosos, é um animal rústico.
É um cão desconfiado com estranhos, mas extremamente dedicado ao seu dono. O temperamento equilibrado e sua capacidade de tomar decisões fazem dele um excelente cão de trabalho.
2. Como adquirir um Castro Laboreiro?
Um Castro Laboreiro deve ser adotado ou adquirido em condições de lhe poder proporcionar uma vida e um ambiente adequado às suas necessidades.
O melhor local para reunir informação é junto do Clube Português de Canicultura ou Clubes de Raça. Procurar eventos organizados por estas instituições deve ser o início. Uma exposição é o local privilegiado para conhecer criadores e esclarecer todas as dúvidas, nomeadamente no que diz respeito ao aspeto, ao carácter, aos cuidados necessários e ao modo de vida apropriado da raça.
Observar sempre os progenitores e apurar a sua genealogia. Não adquirir exemplares sem registo no CPC.
Outra forma de se informar sobre criadores e ninhadas é contactar o CPC que fornecerá listas das ninhadas recentemente registadas.
3. Cuidados a ter com o Castro Laboreiro
Necessita de espaço e exercício diário. Não são indicados para apartamentos ou ambientes fechados, pois precisam de liberdade para se movimentar. Passeios longos e atividades ao ar livre são fundamentais para evitar o tédio e problemas comportamentais.
A socialização desde cedo é essencial. Devem ser expostos a diferentes pessoas, animais e ambientes para desenvolverem um comportamento equilibrado.
Precisam de um dono experiente, firme e consistente, pois são independentes e podem ser teimosos.
Uma alimentação de qualidade, adequada ao seu porte e nível de atividade, é essencial. Podem necessitar de uma dieta rica em proteínas, especialmente se estiverem a trabalhar como cães de guarda ou de pastoreio. É importante controlar a quantidade de comida para evitar excesso de peso.
O seu pelo não apresenta problemas, é denso e resistente às intempéries, a escovação regular deve ser prática normal para remover pelos mortos e evitar nós. Não necessita de banhos frequentes, a menos que fique muito sujo. Inspecionar regularmente as orelhas, olhos e patas para evitar infeções ou ferimentos.
Geralmente são cães saudáveis e rústicos, mas podem estar sujeitos a problemas comuns em raças de maior porte. Deve ter consultas veterinárias regulares para vacinação, desparasitação e despistagens de todas as doenças.